Russos e japoneses pela metade
- Jordino

- 5 de jan.
- 2 min de leitura

Russos e japoneses pela metade
As coisas pela metade sempre me causaram incômodo. Prefiro algo totalmente acabado, que não exija de mim mais do que já ofereci. Sendo assim, não gosto de retornar para onde já deixei tudo. E isso vale para as coisas mais simples da vida.
Por exemplo, se preciso limpar um cômodo, tenho que mexer em todos os móveis para sacudir o pó, isso implica e tirar os objetos do lugar. Tem gente que faz isso de uma só vez com todos os espaços da casa, não eu. Prefiro limpar um cômodo inteiro, do chão ao teto, fechar a porta, ficar ciente de que não precisarei retornar a ele e ter a liberdade de seguir adiante.
Com livros acontece a mesma coisa. Por isso não gosto de obras divididas em partes. Quero tudo no mesmo volume. Foi assim que cometi um crime contra Dostoievski. Estou exilado na primeira parte do seu monumental Crime e Castigo, aguardando o momento em que terei em mãos a segunda para dar cabo desta leitura. A edição que consegui é muito rara, reservada ao círculo de amigos de OTTO PIERRE, EDITORES, LTDA, assim consta na ficha catalográfica. Vai saber onde encontrar o outro livro.
Quando penso que não passaria pela mesma situação, ela se repete. Depois de ler Crônica do Pássaro de Corda, do japonês Haruki Murakami, me interessei por outras obras do autor. Coincidentemente, em meu trabalho, dei de cara com o seu 1Q84. Ensaiei bastante para começar a leitura e, quando finalmente iniciei, olhando com mais atenção, percebi que se tratava apenas do livro 1. Poxa, que decepção!
Eu tinha muito mais para dizer nesta crônica, mas como protesto, vou deixá-la pela metade também. Até.




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