Folhinha
- Jordino

- 31 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Tempos atrás era comum que estabelecimentos comerciais fornecessem aos seus clientes uma folhinha no final do ano. Isto é, um calendário. Como tudo é digital hoje em dia, essa prática não é tão recorrente. Mais do que um mimo, esta também era uma peça publicitária, um golpe de marketing. As folhinhas eram personalizadas e vinham com a marca do cliente e seus dados de contato. Ou seja, de janeiro a dezembro, o estabelecimento ficava à vista do cliente.
No começo deste ano, que agora está pela sua hora, ganhei uma dessas folhinhas de um depósito de construção. Está aqui, na parede em frente a minha mesa. Passei o ano todo olhando pra ela, mas sem prestar muita atenção. Têm algumas anotações, alguns dias
circulados, mas não sei o que significam, com exceção de uma.
4 de agosto. Fiz questão de destacar tal data porque jurava que meu filho nasceria neste dia. Uma espécie de intuição paterna. Mas errei feio e agora ela não tem nenhum sentido. Acredito que os restantes das anotações não têm a menor importância, se assim fosse eu saberia o porquê do destaque.
Passei por uma ótica no centro da cidade nesses dias e qual foi minha surpresa ao ver o dono do estabelecimento brindando um cliente com uma folhinha. Foi o gatilho pra eu escrever sobre. Com o smartphone, tudo fica a um toque e, com uma agenda digital, dá pra organizar a vida tranquilamente. Mas estou cansado dessa dependência toda pelo celular. Em 2026, talvez, eu substitua os apps por objetos, ou melhor, aparelhos. Para isso terei que comprar um rádio, uma câmera, um relógio, uma agenda, e ganhar uma folhinha…




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