
Se o dia não estivesse tão quente, com certeza, me sobraria disposição para digitar muitas palavras até a chegada da noite. Mas hoje está sem clima. E quando falta esse incentivo gostoso da natureza, sobra bem pouco para aproveitarmos. A questão transcende nossa costumeira forma de pensar. Por exemplo, na maioria das vezes o clima é neutro, é quando ele atinge suas extremidades que nos sentimos prejudicados.
Este é o ponto: extremidades sempre estão chamando à atenção. Como sou essencialmente tímido, não sou do tipo que se achega ao centro, pelo contrário, ocupo as margens e ali permaneço flertando com o sossego. Sossego que me lembra um livro muito oportuno para este texto. “Triste fim de Policarpo Quaresma”.
Os leitores do grande Lima Barreto, à esta altura, já compreenderam a questão. Falar de fim é complicado, mas está aí um assunto que não deixo passar. Pois se “tudo o que é vivo, morre”, não existe motivo para arredar o pé de um tema tão pertinente a esta humanidade altaneira.
Ah, Policarpo.. o senhor, respeitado major, mergulhou fundo demais no paradoxo da eugenia patriótica, e bem se sabe que não há oxigênio por estas bandas. O complicado é que tudo só fica claro com o fim das coisas - daí eu gostar tanto do tema - mas o final é autoexplicativo. E depois que a resposta é revelada não tem como dar novo rumo para a questão.
Hoje o clima não está cooperando, reconheço, porém, que mesmo assim é preciso dar andamento às nossas escolhas. O fim vai dizer, se é ou não é.
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