Coisa não é presente
- Jordino

- há 1 dia
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O mundo não tem interesse nas minhas crônicas. Tudo bem, às vezes nem eu mesmo tenho. Mas isso não significa que escrevo por obrigação. Ao contrário, faço com interesse genuíno na essência da coisa. E por coisa entenda tudo o que desejar. Afinal, esta palavra está aí para isso mesmo, preencher a lacuna de tudo aquilo que nos foge. Concreto e físico, abstrato ou sentimento, a coisa designa tudo o que existe.
Ontem fui à missa, e na homilia o padre disse: “Coisa não é presente”. Se você compra uma “coisinha” para alguém, você não está presenteando-a. Por outro lado, se você considera a situação e examina o futuro presenteado, levando-o em conta na sua escolha de mimo, então sim, será um presente. Achei muito interessante. Porque a coisa é pau para toda obra. Serve para todos, mas não unicamente para um só.
Coisa não é presente e nem poderia ser. O presente é bem definido, é o aqui e o agora com tudo o que temos e somos. Na essência, a vida precisa ser bem delineada, e não pode ser preenchida por coisas. Sinto que o mundo deseja estrangular a palavra e assim empobrecer nossas experiências. E talvez venha daí a sua antipatia pela crônica, gênero essencialmente presente. Coisa não é presente, a crônica sim.




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