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Por que os judeus depositam pedras e não flores nos túmulos

Atualizado: 22 de abr.


Por que os judeus depositam pedras e não flores nos túmulos
Cemitério Judeu no Monte das Oliveiras / ©Jordino Neto

Por que os judeus depositam pedras e não flores nos túmulos.


Este ano estive em Israel e conheci muitos lugares por lá, dentre eles, o cemitério judeu no Monte das Oliveiras, que é o maior e mais antigo cemitério judaico no mundo. Encontra-se em frente à Cidade Velha de Jerusalém e tem mais de 150 mil sepulturas. O que me chamou a atenção, foi que as sepulturas não tinham nada além de pedras. Ou seja, sem flores, vasos, velas ou outros acessórios. Apenas pedra.


A tradição judaica é repleta de simbolismo e significado profundo, e uma das práticas mais distintas e notáveis é o ato de depositar pedras nos túmulos dos falecidos em vez de flores. Essa tradição, que pode parecer incomum para alguns, tem raízes antigas ligadas a valores culturais e religiosos. Neste artigo, exploraremos as razões por trás desse costume e o significado que ele carrega.


1. Simbolismo Duradouro:

Uma das razões fundamentais para a preferência de pedras em vez de flores é o simbolismo da durabilidade das pedras. Enquanto as flores murcham e se deterioram com o tempo, as pedras são duradouras e resistentes. Isso representa a ideia de que a memória do falecido não deve desaparecer e sim perdurar ao longo do tempo. É uma maneira de afirmar que a influência e o impacto da pessoa na vida daqueles que a conheceram devem ser lembrados e apreciados de forma contínua.


2. Modéstia e Humildade:

O judaísmo valoriza a modéstia e a humildade como virtudes essenciais. O ato de colocar uma pedra em um túmulo é simples e despretensioso, refletindo esses valores. Em contraste, a exibição de flores pode ser considerada mais extravagante e efêmera. A modéstia e a simplicidade são qualidades que os judeus valorizam e procuram manter em todas as áreas de suas vidas, inclusive nos rituais funerários.


3. Continuidade da Visitação:

Ao colocar uma pedra em um túmulo, os judeus também estão marcando a visita ao túmulo. A pedra serve como um lembrete de que alguém esteve lá para prestar homenagem ao falecido. Essa prática pode incentivar a continuidade das visitas e lembranças ao longo do tempo, garantindo que o falecido nunca seja esquecido.


4. Evitando a Idolatria:

Outro motivo para a preferência pelas pedras é evitar qualquer associação com a idolatria ou práticas pagãs. Em algumas culturas antigas, as flores eram oferecidas aos deuses ou usadas em rituais religiosos. O judaísmo estritamente proíbe a idolatria, e o ato de colocar flores nos túmulos poderia ser visto como uma reminiscência dessas práticas.


5. Conexão com a Terra:

As pedras estão intrinsecamente ligadas à terra, à natureza e ao mundo físico. Elas representam uma conexão profunda com a terra e a criação de Deus. Essa conexão com a terra é importante no judaísmo, onde a terra de Israel é vista como uma dádiva divina e um lugar de significado espiritual.


6. Tradição Antiga:

A tradição de colocar pedras nos túmulos tem raízes antigas no judaísmo e foi transmitida ao longo das gerações. Ela é um costume que perdura há séculos e é praticado em todo o mundo por diversas comunidades judaicas.


A prática de depositar pedras nos túmulos em vez de flores é uma tradição significativa e profundamente enraizada na cultura judaica. Em resumo, ela reflete valores como durabilidade, modéstia, continuidade e conexão com a terra, ao mesmo tempo em que evita associações com práticas religiosas não judaicas. É uma maneira de honrar e lembrar os falecidos de acordo com os princípios e valores fundamentais do judaísmo, garantindo que suas memórias continuem a perdurar ao longo do tempo.



Por que os judeus depositam pedras e não flores nos túmulos

O judaísmo é uma das religiões mais antigas do mundo e foi capaz de preservar sua identidade distinta ao longo de mais de três milênios. A história do judaísmo oferece uma visão verdadeiramente ampla de como essa religião surgiu, como evoluiu de uma época para outra e como suas várias tradições e seitas se relacionaram. Neste livro, Martin Goodman, professor da universidade de Oxford, leva os leitores das origens do judaísmo no mundo politeísta antes de Cristo ao culto do templo na época de Jesus. Conta as histórias de rabinos, místicos e messias do período medieval e do início da modernidade, guiando através das muitas facetas do judaísmo de hoje. Ele explica as instituições e ideias nas quais todas as formas de judaísmo se baseiam. A história do judaísmo é um verdadeiro guia sobre a religião e seu povo, sobre como a fé sobreviveu a quase três séculos de perseguições. Tudo explicado em detalhes, mostrando o judaísmo em vários continentes e épocas: de Moisés guiando os hebreus à cabala, do judaísmo ortodoxo à crença na vida pós-morte.


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