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O Pequeno Príncipe, Sócrates e perguntas mal feitas

Atualizado: há 4 dias

O Pequeno Príncipe

Eu gostaria de ter lido “O Pequeno Príncipe” quando criança porque assim saberia o que esta obra causaria no pequeno Jordino. Infelizmente, não deu. Depois de adulto, as conclusões são outras e “o essencial é invisível aos olhos” ganha significados mais complexos. Porque o adulto tem essa mania de querer desvendar tudo, teorizar tudo, encontrar respostas para toda ocasião. E como isso é chato.


As conclusões infantis são mais simples e muito mais assertivas, vão direto ao ponto. E a simplicidade sempre me convenceu, pois as respostas mais profundas que obtive até hoje chegaram de forma mansa e tranquila. Não gosto de resposta pomposa, pois aparentam estar servindo a si mesma e não aos interessados em seu conteúdo.


O mundo está cheio de gente respondendo a si mesmas. O Pequeno Príncipe nunca respondia às perguntas, mas jamais desistia de uma pergunta até que obtivesse sua resposta. Eu gostaria muito de saber o que esse tipo de conduta causaria em mim, enquanto criança. Por outro lado, penso que também é preciso saber perguntar, condição raríssima hoje em dia. Arrisco a dizer que faltam bons perguntadores e respondedores.


E de qual lado ficar nessa história? Como jornalista que sou, eu prefiro as perguntas, porque delas é que surge o conhecimento. Quem vive respondendo aprende pouco, conhece pouco e perde muito. E até para responder bem, é preciso ter perguntado bem antes. Porém, esse processo tem sido ignorado com todas as forças, levando o mundo a um nível alarmante de ignorância e superficialidade, onde as respostas se tornam vagas e infundadas.


Sócrates, filósofo grego, não era de dar respostas diretas, em vez disso, ele conduzia as pessoas por uma série de perguntas hábeis que os ajudavam a refletir sobre suas próprias crenças e conhecimentos. Com isso, ele estimulava o pensamento crítico e a busca pela verdade através do diálogo e da investigação. Assim como uma parteira ajuda a mulher a dar à luz um bebê, Sócrates ajudava as pessoas a "dar à luz" suas ideias e a isso chamamos de maiêutica, uma técnica filosófica.


Eu gostaria de ter lido o “Pequeno Príncipe” na minha infância, eu poderia viajar pelos mesmos planetas que ele e fazer muitas perguntas no universo lá fora. Agora crescido, é bem complicado fazer esse tipo de expedição, tenho respostas a dar diariamente e elas tomam boa parte do meu tempo.

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