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  • Foto do escritorJordino

O príncipe (ou quase isso) e eu



O que você faria se estivesse diante de um príncipe? Isto mesmo, literalmente um príncipe. Sem analogias. Estou falando do detentor da coroa real que repousa em berço esplêndido há 133 anos.


Eu era um jovem seminarista franciscano, no auge da adolescência, absorto em dúvidas. Com meus companheiros não era diferente. Voltávamos do colégio um certo dia, quando fomos surpreendidos por uma pequena comitiva de carros estacionados no pátio do seminário. Entramos para nosso alojamento e nos preparamos para o Angelus. No momento de atravessar para o refeitório e restaurar nossos corpos extenuados pela manhã de estudo, fomos interceptados por um frei que nos alertou a presença real. “O príncipe do Brasil está aí, sem gracinhas”. Aquela informação foi rebatida por minha ignorância, não consegui absorvê-la e imediatamente minha expressão denunciou-me. Olhei para um dos meus companheiros. “Príncipe do Brasil? O Brasil tem príncipe?”. Sim, o Brasil tinha príncipe e ainda o tem, trata-se de Sua Alteza Imperial e Real o Senhor Dom Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança, sendo ele o legítimo depositário dos direitos ao Trono e à Coroa do Brasil – de jure, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. UFA!


A figura de Dom Bertrand destoava da minha ideia de príncipe, nem coroa ele tinha. Mas tudo certo, o cara era “gente boa” e este requisito sempre foi indispensável para aquele bando de seminaristas aprovarem alguém. Depois de muitos anos, e pesquisando sobre o tema, descobri certas curiosidades, como por exemplo, que o Fluminense é o time preferido da família real.


Na época, compreender a estrutura e a engenhosidade da vida política do Brasil estava muito distante dos meus objetivos, por isso não fazia ideia de algumas situações. Hoje me peguei pensando sobre isso. Muitas coisas precisam ser esclarecidas, o tal laudêmio, por exemplo, também conhecido como “taxa do príncipe" é uma delas. Funciona assim, para cada imóvel comercializado no terreno da Fazenda Córrego Seco, antiga propriedade da família real em Petrópolis, a coroa brasileira recebe uma porcentagem sobre o valor negociado. Dá para entender?


Ah, mas se naquele encontro com o príncipe eu tivesse as informações que tenho hoje, garanto que não me acovardaria. “Mas Fluminense, Vossa Alteza? Tá de sacanagem?”.

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